Este blog não nasceu para funcionar como vitrine. Ele existe como registro de uma trajetória técnica construída mais em cima de sistema real do que de discurso pronto.

Sou Yuri Martins. Sou formado em Mecatrônica pelo IFSP Catanduva, atualmente curso Engenharia da Computação na Univesp e tenho 4 anos de experiência profissional na área. Minha trajetória foi sendo construída num tipo de ambiente em que software nunca aparece sozinho: ele vem junto com operação, comunicação, telemetria, dispositivo em campo, integração, restrição física e problema que não respeita divisão bonita entre camadas.

Ao longo desses anos, fui assumindo responsabilidades em frentes diferentes, mas que se conectam. Atuei sobre aplicações centrais do time, participei de automações internas, trabalhei com sustentação e evolução de sistema em produção e me aproximei de problemas que exigem leitura completa do que está acontecendo, e não só familiaridade com uma ferramenta ou outra. Parte importante dessa experiência veio da atuação técnica em uma plataforma de rastreamento veicular e telemetria, lidando com processamento contínuo de dados IoT, comunicação com dispositivos em campo, comportamento do sistema sob carga e decisões de arquitetura necessárias para manter a operação estável.

Esse tipo de contexto moldou meu jeito de pensar. Tenho menos interesse em tecnologia como repertório de superfície e mais interesse em entender mecanismo, limitação e comportamento real. Gosto de olhar para sistema como sistema: aplicação, banco, rede, protocolo, equipamento, latência, falha intermitente, dado inconsistente, observabilidade, operação e manutenção. Em geral, é nesse encontro entre as camadas que os problemas mais interessantes aparecem.

Minha formação em mecatrônica influenciou bastante essa forma de enxergar engenharia. Sempre tive inclinação para a parte em que software encontra o mundo físico: hardware embarcado, comunicação, sinal, limitação elétrica, rede ruim, dispositivo remoto, telemetria e sistemas que precisam continuar funcionando fora de laboratório e longe do ambiente ideal. Hoje, a graduação em Engenharia da Computação amplia esse caminho e ajuda a aprofundar a base teórica de algo que já vinha sendo construído na prática.

Também tive contato com uma frente que considero importante na minha trajetória: segurança e investigação técnica. Participei do TPS, o Teste Público de Segurança, como pré-pesquisador inscrito, investigando questões relacionadas à urna eletrônica brasileira. Foi uma experiência que reforçou meu interesse por método experimental, análise cuidadosa, leitura crítica e engenharia feita com rigor.

Em outro momento, compartilhei parte desse repertório em palestra no IFSP Catanduva, especialmente em temas ligados a IoT e engenharia aplicada. Ensinar e organizar tecnicamente aquilo que se aprende na prática também é uma forma de consolidar conhecimento, e esse blog tem relação direta com isso.

Hoje, venho aprofundando meus estudos em áreas que dialogam diretamente com o tipo de engenharia que quero seguir desenvolvendo: microeletrônica, arquitetura de computadores com foco em RISC-V, kernel Linux, DRM/Xe, telecomunicações, redes móveis, computação embarcada e sistemas construídos com restrições reais em mente. Não vejo essas áreas como coleção de interesses soltos. Para mim, elas fazem parte do mesmo eixo: entender melhor como a computação funciona por dentro, do mais baixo nível até o sistema operando no mundo.

Este espaço existe para organizar esse percurso. Aqui eu escrevo sobre software, hardware, sistemas, protocolos, segurança, arquitetura e investigação técnica com o olhar de quem prefere desmontar o problema antes de repetir jargão. Menos vitrine. Mais estrutura. Menos pose. Mais engenharia.